Dengue 2026: sintomas, sinais de alerta e quando procurar médico em Campinas
Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui consulta médica presencial.
Resumo rápido (TL;DR):
- Sintomas clássicos: febre alta súbita, dor atrás dos olhos, dor no corpo, manchas vermelhas.
- Nunca use ibuprofeno, diclofenaco, nimesulida ou aspirina — aumentam risco de sangramento.
- Use apenas paracetamol ou dipirona até confirmação médica.
- Hidratação é o pilar do tratamento — beba muito líquido.
- Procure médico se aparecer dor abdominal forte, vômitos, sangramento ou tontura — sinais de gravidade.
- Em Campinas, 2026 ainda registra circulação do vírus, embora em volume menor que 2024-2025.
A situação da dengue em 2026

Após o pico histórico de 2024, com 6 milhões de casos prováveis no Brasil, a
dengue desacelerou em 2026 — mas continua circulando em todas as regiões do país.
Em São Paulo, Campinas é uma das cidades com alerta amarelo historicamente,

por ser área endêmica e ter ambiente favorável ao mosquito Aedes aegypti.
A vigilância sanitária municipal monitora os índices de infestação por meio do
LIRAa (Levantamento de Índice Rápido para o Aedes aegypti) e divulga
periodicamente os bairros com maior risco.
O ciclo de transmissão segue padrão tropical:
- Maior atividade: dezembro a maio (calor + chuva)
- Menor atividade: junho a setembro (seca e frio)
Em 2026, o cenário pode mudar rapidamente conforme o clima. Verifique boletins
da Secretaria de Saúde de Campinas para alertas atualizados.
Como a dengue é transmitida
A dengue não passa de pessoa pra pessoa. A transmissão acontece por:
- Mosquito Aedes aegypti infectado pica uma pessoa
- O vírus se multiplica e a pessoa adoece em 4-10 dias
- Outro mosquito não-infectado pica essa pessoa enquanto ela tem o vírus no sangue
- Esse mosquito agora carrega o vírus e pode infectar outras pessoas
Existem 4 sorotipos do vírus (DENV-1, DENV-2, DENV-3, DENV-4). Quem teve um
sorotipo fica imune a ele, mas continua suscetível aos outros 3. Uma segunda
infecção por sorotipo diferente costuma ser mais grave.
Os sintomas — o que esperar
Fase 1: Febril (dias 1 a 7)
Os sintomas começam subitamente — a pessoa estava bem e em horas já está com
quadro completo:
- Febre alta súbita (39-40°C), geralmente sem alívio com antitérmico comum
- Dor de cabeça intensa, principalmente na região frontal
- Dor atrás dos olhos — bem característica da dengue
- Dor muscular e articular — “febre quebra-osso”
- Cansaço e fraqueza extremos
- Perda de apetite
- Náusea, vômito ocasional
- Manchas vermelhas na pele (rash), aparecem entre o 3º e 6º dia
- Coceira em todo o corpo
Fase 2: Crítica (24-48h após a febre cair, geralmente dias 4-7)
ATENÇÃO: essa é a fase mais perigosa. A pessoa pode achar que está melhor
(porque a febre cedeu), mas é justamente quando podem aparecer as complicações
graves. Monitore com atenção redobrada.
Pode evoluir de duas maneiras:
(a) Recuperação espontânea (maioria dos casos)
- Febre cede
- Sintomas vão regredindo aos poucos
- Pessoa volta ao normal em mais 1-2 semanas
(b) Dengue grave (~1-3% dos casos, mas pode ser fatal sem atendimento)
- Aparecem sinais de alarme (próxima seção)
- Risco de choque hemorrágico, falência de órgãos
- Exige internação hospitalar urgente
Fase 3: Recuperação (após a fase crítica)
- Cansaço pode persistir 2-4 semanas
- Algumas pessoas relatam dor articular residual
- Aparecimento de novas manchas vermelhas (esperado, não é sinal de gravidade)
Sinais de alarme — vá ao pronto-socorro IMEDIATAMENTE
Estes sinais geralmente aparecem 24-48h após a febre cair (dia 4-7 da doença).
Decoração simples: A SOS — Abdômen, Sangramento, Outros.
Sintomas que exigem pronto-atendimento
🚨 Abdômen
- Dor abdominal intensa e contínua
- Vômitos persistentes (mais de 3 episódios em curto período)
🚨 Sangramento
- Sangramento gengival ou nasal espontâneo
- Sangue no vômito ou nas fezes
- Sangue na urina
- Manchas roxas grandes na pele (não pequenas manchinhas, mas hematomas)
- Sangramento menstrual fora do esperado (volume ou duração)
🚨 Outros
- Tontura ao levantar (queda de pressão)
- Pulso fraco
- Pele fria e úmida
- Confusão mental ou sonolência
- Inquietação ou irritabilidade fora do comum
- Dificuldade para respirar
- Diminuição do volume de urina
- Em crianças: choro inconsolável, recusa de líquidos, sonolência excessiva
Se algum desses sintomas aparecer, NÃO ESPERE. Vá ao pronto-socorro ou
chame uma ambulância. Tempo é vida na dengue grave.
O que NUNCA tomar com dengue
Algumas medicações são proibidas porque aumentam o risco de sangramento e
podem agravar a doença:
| Medicação | Por que evitar |
|—|—|
| **Ibuprofeno** | Anti-inflamatório, dificulta coagulação |
| **Diclofenaco** | Idem |
| **Nimesulida** | Idem |
| **Cetoprofeno** | Idem |
| **Ácido acetilsalicílico (Aspirina, AAS)** | Forte risco de sangramento |
| **Corticoides** | Sem indicação, podem mascarar sintomas |
| **Antibióticos** | Não atuam contra vírus, gastam à toa |
O que pode usar
- Paracetamol (até 750mg a cada 6h em adulto, conforme prescrição) — controla febre
- Dipirona — alternativa ao paracetamol
- Hidratação oral — pilar do tratamento
IMPORTANTE: mesmo paracetamol em excesso causa toxicidade hepática.
Respeite a dose. Se a febre não cede com paracetamol, vá ao médico — não dobre
a dose.
Hidratação: o pilar do tratamento
Em dengue, manter o paciente hidratado é mais importante que qualquer remédio.
O vírus causa perda de líquido pela febre, vômitos e extravasamento dos vasos
sanguíneos. Sem hidratação adequada, o risco de complicação aumenta.
Recomendação para adultos
- 80 ml por kg de peso ao dia (paciente de 70 kg = 5,6 litros)
- 1/3 disso pode ser soro caseiro ou pacotes de reidratação oral
- O resto: água, água de coco, sucos naturais, sopa, chá
- Evitar: refrigerantes, bebidas alcoólicas, energéticos
Recomendação para crianças
- Avaliar com pediatra — peso é o critério
- Sinal de boa hidratação: criança urina ao menos a cada 4-6 horas
- Fralda úmida nas trocas é bom sinal
Como saber se está bem hidratado
- Urina clara (amarelo bem claro)
- Volume normal de urina (não diminuiu)
- Boca úmida
- Não sente tontura ao levantar
Quando procurar consulta médica
A dengue sempre exige avaliação médica, mesmo casos leves. Procure consulta
nas seguintes situações:
Procure no mesmo dia (consulta ou pronto-atendimento)
- Febre alta por mais de 2 dias
- Suspeita de dengue + idade > 60 anos
- Suspeita de dengue + gestante
- Suspeita de dengue + criança < 2 anos
- Suspeita de dengue + doença crônica (diabetes, asma, hipertensão, doença renal)
- Vai começar tratamento, precisa fazer hemograma e Ns1
Procure em 24-48h
- Suspeita em adulto saudável que tem boa hidratação e está estável
Pronto-socorro / 192 / SAMU
- Qualquer sinal de alarme (listado acima)
- Piora súbita
- Não consegue beber água ou está vomitando tudo
Em Campinas, a Clínica para Família atende clínico geral no Centro da cidade,
sem precisar de plano de saúde. Consulta a partir de R$ 78. Para casos que exigem
emergência (sinais de alarme), vá direto a um pronto-socorro ou hospital.
Exames diagnósticos
Em quem tem suspeita clínica, o médico pode pedir:
Até o 5º dia de doença:
- NS1 (antígeno do vírus) — confirma dengue ativa
- Hemograma completo (controle de plaquetas e hematócrito)
Após o 5º dia:
- IgM (anticorpo IgM) — confirma infecção recente
- IgG (anticorpo IgG) — indica infecção anterior ou prévia
No acompanhamento (quando há suspeita de gravidade):
- Hemograma diário ou em dias alternados
- Plaquetometria
- Hematócrito (% de glóbulos vermelhos)
Esses exames orientam o médico a decidir se o paciente fica em observação
domiciliar ou se precisa de internação.
Prevenção: o mosquito
A melhor proteção contra dengue é eliminar focos do mosquito. O Aedes aegypti
se reproduz em água parada limpa.
Checklist da prevenção em casa
- Pneus velhos: descarte ou armazene cobertos
- Caixas d’água: sempre tampadas
- Calhas: desentupir e manter livres
- Vasos de plantas: trocar a água a cada 2-3 dias, ou usar areia no pratinho
- Garrafas e potes: virar de boca pra baixo ou descartar
- Piscinas: manter cloradas; vazias, bem cobertas
- Tampas de garrafa, latas: descarte
- Ralos pouco usados: vedar ou colocar tela
Proteção pessoal
- Use repelente com DEET, Icaridina ou IR3535 — adultos a cada 4-6h, crianças
conforme indicação do pediatra
- Roupas claras e cobertas em ambientes externos no fim de tarde
- Tela nas janelas e mosquiteiro em camas (especialmente para bebês)
- Ar-condicionado ajuda (mosquito não voa bem em ar frio)
A vacina contra dengue em 2026
A Qdenga (vacina da Takeda) está disponível no Brasil desde 2024 e em 2026
mantém indicação ampliada:
- Idade: 4 a 60 anos
- Doses: 2 doses com intervalo de 3 meses
- Disponibilidade: rede particular (R$ 400-600 por dose) e SUS em municípios
endêmicos selecionados, com foco em crianças de 6 a 16 anos
- Pode ser tomada por quem já teve dengue? Sim, e tem ainda mais benefício
- Quem não pode tomar: imunossuprimidos graves, gestantes, lactantes
Antes de tomar, converse com clínico geral sobre seu histórico — a vacina
reduz risco de dengue grave, mas não substitui o cuidado com focos do mosquito.
Resumindo
A dengue mata por desidratação e complicações silenciosas quando o paciente
ignora os sinais de alarme. Mas a maioria absoluta dos casos é leve e se resolve
em casa com:
- Hidratação intensa
- Repouso
- Paracetamol ou dipirona (NUNCA ibuprofeno, aspirina, nimesulida)
- Monitoramento dos sinais de alarme
- Consulta médica em 24-48h pra fazer exames e ter acompanhamento
Em Campinas, ao primeiro sinal de febre alta com dor no corpo e atrás dos olhos:
hidrate, tome paracetamol e procure um clínico geral. Na Clínica para Família,
a consulta sai a partir de R$ 78 — agendamento por WhatsApp, atendimento no
mesmo dia em horários disponíveis.
E lembre: cada vasinho com água parada em casa é um foco a menos. Prevenção
sempre será mais barata e segura do que tratamento.
Fontes oficiais utilizadas:
- Ministério da Saúde — Diretrizes Nacionais para Diagnóstico e Manejo Clínico da Dengue
- Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI)
- Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo — Boletins Epidemiológicos
- Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS)
- LIRAa Campinas — Vigilância em Saúde Ambiental
Responsável Técnico: Dr. Nasser Hamze · CRM-SP 155.312 — Clínica Para Família
Responsável Técnico: Dr. Nasser Hamze · CRM-SP 155.312 · Clínica Para Família · 3 unidades na Av. Francisco Glicério, Centro Campinas (nº 501, 640 e 670)






